domingo, 9 de março de 2008

O grande começo

Engraçado. Ao longo de toda a minha vida, me imaginei escrevendo alguma coisa, nem que fosse só para eu ler.
Quando criança, a família viajava de férias para a praia e papai ficava na cidade durante a semana, trabalhando. Nos finais de semana, nos reencontrava e sempre, mas sempre mesmo, trazia consigo um presente para cada um. Era como se dissesse - e dizia -: Passei a semana pensando em vocês. Pensem em mim também na que vai começar.
Era impossível não pensar e não esperar por ele.
Sempre trazia um livro, exceto no fim de semana em que prometi escrever um livro dedicado a ele: 'Vinte dias de solidão'. Naquele fim de semana, trouxe-me um bloco de papel alvo com uma dedicatória carinhosa na primeira folha. Eu devia ter uns sete ou oito anos e, desde lá, guardo o tal bloco comigo: alvo como no começo.
Os anos passaram. Ninguém mais escreve em blocos, mas a vontade sempre esteve ali, latente, adormecida, em uma expectativa morna de algum dia, enfim, começar.
Sabe água aquecida em microondas naquele limiar da fervura aparente? Pois é, eu sempre fervi, borbulhei por dentro, mas, sou geminiana e geminianos dificilmente começam alguma coisa sem que uma força externa os carreguem 'ladeira abaixo'. Sempre cheios de idéias. Sempre cheios de sonhos. Como diria minha chefa estudiosa dos mistérios da Astrologia, um signo de ar.
Pois é, hoje a força externa que faz o ar movimentar-se e tornar-se vento, furacão, tornado apareceu e, estou aqui.
A partir de hoje, espero dividir as minhas pequenas reflexões e inquietações despretensiosas.
Não sei até quando isso vai durar porque geminianos não costumam terminar o que começam, mas, enfim, começar traz alívio.

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